Infraestrutura Digital

Pix em números: 80 bilhões de transações e o que muda em 2026

Pix em números: 79,8 bilhões de transações e R$ 35,36 trilhões em 2025, recorde de 318 milhões em um dia e as novas regras do Banco Central para 2026.

O Pix fechou 2025 com 79,8 bilhões de transações e R$ 35,36 trilhões movimentados, segundo o Banco Central do Brasil (BCB). Em 4 de setembro de 2026, o sistema bateu o próprio recorde diário: 318.073.816 operações liquidadas, que somaram R$ 186,89 bilhões. Cinco anos depois do lançamento, o Pix é o meio de pagamento mais usado do país em quantidade de transações e serve de referência para bancos centrais de outros países que estudam sistemas de pagamento instantâneo.

Como o Pix chegou até aqui

O arranjo foi instituído pela Resolução BCB nº 1, de 12 de agosto de 2020, que também aprovou o regulamento do sistema. O cadastro de chaves no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) começou em 5 de outubro de 2020, a operação restrita em 3 de novembro e a operação plena em 16 de novembro de 2020.

Um desenho regulatório explica parte da adesão rápida. A participação é obrigatória para instituições financeiras e de pagamento autorizadas pelo BCB com mais de 500 mil contas de clientes ativas. Com isso, os maiores bancos e fintechs entraram no sistema desde o primeiro dia, e o usuário não precisou escolher em qual instituição o Pix "funcionava". Para pessoas físicas, o uso é gratuito, a liquidação ocorre a qualquer hora, inclusive em fins de semana e feriados, e a operação é feita pelo celular.

Os números de 2025

O Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, publicado pelo BCB em 2026, consolida os dados do último ano completo.

Indicador (2025)Valor
Transações no ano79,8 bilhões
Valor movimentadoR$ 35,36 trilhões
Pessoas físicas que usaram o Pix148 milhões (86% da população adulta)
Empresas que usaram o Pix12,8 milhões
Chaves cadastradasmais de 920 milhões
Participação no valor do comércio eletrônico42%
Participação nos pagamentos em pontos de venda físicos34%

Em 2024, o sistema havia registrado 63,5 bilhões de operações e R$ 26,24 trilhões. A comparação indica alta de 25,7% na quantidade de transações e de aproximadamente 35% no valor movimentado de um ano para o outro.

O mês de dezembro de 2025 concentrou 7,8 bilhões de transações e R$ 3,7 trilhões. No dia 5 daquele mês, o Pix liquidou 313,3 milhões de operações, com R$ 179,93 bilhões, recorde que durou até setembro de 2026.

Os números de chaves pedem leitura cuidadosa. Uma mesma pessoa pode cadastrar CPF, telefone, e-mail e chave aleatória, de modo que o total de chaves é bem superior ao de usuários. Para medir alcance, o indicador mais útil é o de pessoas e empresas que efetivamente transacionaram no período.

Quem paga quem: a mudança de perfil

Nos primeiros anos, o Pix era sobretudo uma transferência entre pessoas. Esse perfil mudou. Em 2025, as transações entre pessoas físicas (P2P) caíram para 44% do total em quantidade, e as de pessoas físicas para empresas (P2B) chegaram a 43%, um avanço de 4 pontos percentuais em relação a 2024.

Em valor, a mudança é ainda mais clara. As transações entre empresas (B2B) responderam por 47% de todo o dinheiro movimentado pelo Pix em 2025, acima do volume entre pessoas físicas. Na prática, o Pix passou a disputar espaço com a TED e o boleto no pagamento a fornecedores, e com os cartões no varejo.

Pix, cartões, TED e boleto no mesmo quadro

As estatísticas de meios de pagamento do BCB para o segundo semestre de 2025 permitem comparar os instrumentos.

Instrumento (2º semestre de 2025)Quantidade de transaçõesParticipação em quantidade
Pix42,9 bilhões54,7%
Cartões (crédito, débito e pré-pago)23,8 bilhões30,4%
Total de transações do período78,4 bilhões100%

No período, o total de transações somou R$ 68,2 trilhões, com alta de 12,9% na quantidade e de 14,1% no valor em relação ao segundo semestre de 2024.

Quando o critério é o valor, a ordem se inverte. A TED respondeu por 34,7% do volume financeiro do semestre, contra 28,6% do Pix. A explicação está no tíquete: a TED segue concentrando transferências de alto valor entre empresas e instituições, enquanto o Pix domina as operações do dia a dia. O boleto manteve 7,6% do volume total, com crescimento de 3,7% no valor transacionado sobre o mesmo intervalo de 2024. Entre os cartões, o de crédito foi o que mais cresceu em volume financeiro (13,0%) e concentrou 70,6% do valor transacionado com cartões.

A posição do Brasil no mundo

O relatório Prime Time for Real-Time 2024, da ACI Worldwide em parceria com a GlobalData, classificou o Brasil como o segundo maior mercado de pagamentos em tempo real do mundo em número de transações, atrás apenas da Índia. O mesmo estudo contabilizou 266,2 bilhões de transações em tempo real no mundo em 2023, com crescimento de 42,2% sobre o ano anterior.

A relevância internacional do Pix também aparece em disputas comerciais. Em 15 de julho de 2025, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 sobre práticas brasileiras relacionadas a comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, entre outros temas. O governo brasileiro respondeu que a legislação nacional dá tratamento igual a empresas nacionais e estrangeiras.

Novas funcionalidades desde 2025

O Pix deixou de ser apenas uma transferência imediata. As funcionalidades lançadas nos últimos dois anos ampliam os casos de uso para empresas e órgãos públicos.

Pix por aproximação

Começou a funcionar em 28 de fevereiro de 2025. O pagador encosta o celular no terminal, como faz com um cartão sem contato, e o pagamento é iniciado por meio da infraestrutura do Open Finance, sem necessidade de abrir o aplicativo do banco.

Pix Automático

Disponível para a população desde 16 de junho de 2025, atende cobranças recorrentes, como contas de consumo, mensalidades escolares e assinaturas. O pagador autoriza uma única vez, e os débitos seguintes ocorrem dentro dos limites definidos por ele. Segundo a agenda evolutiva do BCB, a oferta passou a ser obrigatória a partir de 1º de janeiro de 2026 para as instituições que já oferecem débito automático interbancário.

MED 2.0

A Resolução BCB nº 493/2025 criou a nova versão do Mecanismo Especial de Devolução, usado em casos de fraude, golpe e coerção. A principal mudança é o rastreamento do dinheiro além da primeira conta recebedora, o que aumenta a chance de recuperação quando os valores são pulverizados em contas de passagem. A adoção passou a ser obrigatória para todos os participantes em 2 de fevereiro de 2026, com período de ajustes técnicos que terminou em 11 de maio de 2026.

O que ficou para depois

O Pix Garantido, modalidade que permitiria pagar sem saldo suficiente em conta, com característica de crédito, teve o lançamento adiado para a agenda de 2027. O pagamento por aproximação sem conexão à internet também está previsto para 2027 em diante. Para o horizonte até 2030, o BCB lista estudos sobre cobrança híbrida, melhorias no Pix Automático, maior integração com o Open Finance e interoperabilidade internacional.

Checklist para empresas e órgãos públicos

A escala do Pix muda a forma de receber e pagar. Para gestores financeiros e de tecnologia, alguns pontos exigem revisão.

  1. Mapeie as cobranças recorrentes que ainda dependem de boleto ou débito automático convencional e avalie a migração para o Pix Automático, com atenção às regras de autorização e aos limites definidos pelo pagador.
  2. Use QR Codes dinâmicos com identificador de transação (txid) para vincular cada pagamento a uma cobrança específica. A conciliação automática depende dessa identificação.
  3. Integre as APIs de cobrança do seu provedor ao ERP ou ao sistema de arrecadação. Receber em segundos e conciliar em dias anula parte do ganho.
  4. Revise os fluxos de devolução. Com o MED 2.0, a instituição recebedora pode ser acionada para bloquear e devolver valores em cadeias de contas; o setor financeiro precisa saber como responder a esses pedidos.
  5. Defina limites e alçadas para pagamentos B2B por Pix. O volume entre empresas já é o maior do sistema em valor, e o controle interno deve acompanhar essa mudança.
  6. Acompanhe o cronograma do Fórum Pix e da agenda evolutiva do BCB. Funcionalidades como a cobrança híbrida podem alterar contratos com bancos e credenciadoras.

Para órgãos públicos, o Pix simplifica a arrecadação de taxas, multas e tributos quando a guia traz QR Code com vencimento e a baixa ocorre de forma automática no sistema tributário. O ponto crítico costuma ser a integração com sistemas legados de arrecadação, que muitas vezes foram desenhados para processar arquivos de retorno bancário uma vez por dia.

O que monitorar até o fim de 2026

Três frentes merecem acompanhamento. A primeira é o volume de fim de ano: dezembro concentrou os recordes de 2025, e o pico de dezembro de 2026 mostrará se o ritmo de crescimento observado até setembro se mantém. A segunda é a efetividade do MED 2.0, que poderá ser medida pelo percentual de valores efetivamente devolvidos nos próximos relatórios do BCB. A terceira é o avanço do Pix sobre os cartões no varejo físico, onde o sistema respondeu por 34% dos pagamentos em 2025 e onde o Pix por aproximação ainda está em fase de adoção.

Fontes

Fale com um especialista

Qual sistema sua empresa precisa?

Preencha o formulário abaixo, nos informe qual serviço você está interessado e como podemos ajudar, entraremos em contato assim que possível. Posicione sua demanda para indicamos o sistema operacional adequado, ou desenhamos um sob medida personalizado para sua empresa.

EM QUAL SERVIÇO VOCÊ TEM INTERESSE?
O campo de e-mail é obrigatório para envio do link da reunião online.
Fale conosco no WhatsApp